9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 27.3.13

1. METAL PESADO
2. PARASO AMEAADO
3. GIGANTE NORDESTINO

1. METAL PESADO
Com mais de seis toneladas, os robs que formam a banda Compressorhead tocam clssicos do rock, lotam shows em festivais e so um fenmeno na internet
Lucas Bessel

Stickboy baterista - Tem quatro braos, duas pernas, uma cabea e nenhum crebro. Criado em 2007,  o mais velho do grupo. Recebe ajuda de Stickboy Junior, um minirrob responsvel apenas por operar o pedal do chimbau (dois pratos que se tocam)
 
O termo metal pesado, criado no final da dcada de 1960 para designar o estilo de bandas como Deep Purple, acaba de ganhar novo significado graas a um grupo de msicos formado por robs que virou fenmeno na internet e faz shows em festivais internacionais. O conjunto alemo, batizado de Compressorhead, autodenomina-se o mais pesado do mundo. Seus trs integrantes  feitos de ao e alumnio  pesam mais de seis toneladas e tocam clssicos do rock como Ace of Spades, do Motrhead, e Iron Man, do Black Sabbath. No YouTube, seus vdeos alcanaram dez milhes de visualizaes em apenas um ms.

Fingers guitarra
 Com 78 dedos, consegue cobrir quase toda a escala da guitarra e tocar as seis cordas. Suas pernas, feitas de pistes, podem subir e descer de acordo com
 o ritmo da msica, o que anima o pblico nos concertos
 
Por trs da barulheira produzida por Stickboy (bateria), Fingers (guitarra) e Bones (baixo) est um complexo sistema de pistes, articulaes e engrenagens acionados por ar comprimido. Tudo  controlado por um computador que transforma as msicas em comandos mecnicos. Assim, uma nota no computador vira um movimento de braos, pernas ou dedos nos robs, que tocam instrumentos de verdade.
 
O Compressorhead foi criado pelo artista britnico radicado na Alemanha Frank Barnes, fundador da empresa Robocross Machines. A reao que tivemos do pblico, at agora, foi impressionante, diz Barnes, que em janeiro esteve na Austrlia, onde a banda se apresentou no festival Big Day Out, um dos mais importantes do pas.

Bones baixo
 O mais jovem dos msicos se juntou  banda em 2012 e tem apenas quatro
 dedos em cada mo. Segundo o grupo,  o maior baixista de preciso do mundo. Ao contrrio do guitarrista, sua mo se move pelo brao do instrumento
 
Segundo o artista, que no revela quanto gastou com os robs, a prxima turn acontecer em setembro, no Canad. At l, ele espera trazer novidades: Estudamos adicionar um vocalista ao grupo, afirma. Para quem quiser contratar a banda, a lista de exigncias para o camarim inclui, alm de fluido hidrulico e leo de motor, amndoas variadas. Coisa de banda de sucesso.


2. PARASO AMEAADO
Deputados da bancada ruralista tentam aprovar a construo de uma estrada no meio de uma reserva de Mata Atlntica e abrem a temporada de caa aos Parques Nacionais
Larissa Veloso

 FIM DA PICADA - A Estrada do Colono abriria uma clareira no verde do Parque Nacional do Iguau
 
O que no incio era uma contenda regional se transformou em mais uma bandeira da bancada ruralista no Congresso e agora ameaa um Patrimnio Natural da Humanidade. Trata-se da chamada Estrada do Colono, um caminho que ligava as cidades de Serranpolis do Iguau e Capanema, no sudoeste do Paran. Aberta no comeo do sculo XX, a passagem cortava o Parque Nacional do Iguau, criado em 1939. O trecho, que era uma trilha, se transformou em estrada de terra nos anos 50 e quase foi asfaltado trs dcadas depois. Foi ento que a administrao do parque percebeu que a movimentao de veculos e pessoas poderia ser nociva para animais e plantas. Comeava ento um jogo de fecha e abre entre as autoridades. A estrada foi oficialmente fechada pelo governo federal em 2001. Isso no impediu vrias aes na Justia para reabrir a passagem. Neste ano, a disputa chegou  Cmara dos Deputados.

Um projeto de lei do deputado federal Assis do Couto (PT/PR), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar e membro da bancada ruralista, prev a reabertura do trecho. Aquele  um caminho ancestral e foi usado inclusive pela Coluna Prestes. E, alm disso, o que queremos fazer  uma estrada ecolgica. Queremos estabelecer uma ligao entre as pessoas e o meio ambiente, diz o autor do projeto. Ambientalistas e a administrao do parque no pensam da mesma maneira. Aquela rea no tem atrativos tursticos,  s uma regio de mata extremamente isolada. No se trata de uma estrada-parque, mas uma estrada no parque, diz o diretor de polticas pblicas da organizao SOS Mata Atlntica, Mrio Mantovani. A escritora e ex-conselheira da entidade Teresa Urban acompanha a polmica h anos e se preocupa com o futuro de outros parques nacionais. A criao do termo estrada-parque, como prev o projeto,  uma mudana na legislao que regulamenta todas as unidades de conservao do Pas. Com isso, no h um risco iminente s para Iguau, mas para todos os parques nacionais, defende.

MATA DE VOLTA - Clareiras como esta so tudo o que resta do que um dia foi a Estrada do Colono
 
Os deputados argumentam que o fechamento da estrada em 2001 afetou o desenvolvimento da regio, uma vez que, para ir de Serranpolis do Iguau a Capanema,  preciso percorrer cerca de 120 km, enquanto pela Estrada do Colono seriam 17 km. Por causa disso, essas duas cidades no se desenvolveram, afirma o deputado Nelson Padovani (PSC-PR), relator do projeto. Os nmeros mostram uma realidade diferente. De acordo com dados do IBGE, o PIB de Serranpolis mais que dobrou e o de Capanema quase triplicou entre os anos de 2001 e 2010.

Se os ganhos para a economia so duvidosos, as perdas para o ambiente so inquestionveis. Se no h mata, a terra  carregada para os rios quando chove, causando assoreamento. No tempo de seca, a poeira mata as plantas. Sei como eram as coisas quando a estrada estava aberta, diz Apolnio Rodrigues, vice-diretor do parque, que trabalha h 22 anos no local. A votao do projeto acontece em uma comisso criada especialmente para o assunto. A anlise est prevista para o dia 3 de abril. At l, cabe aos ambientalistas reunir apoio para impedir que uma das maiores reservas de Mata Atlntica do Pas ganhe uma enorme cicatriz.


3. GIGANTE NORDESTINO
Fssil cearense do maior pterossauro do Hemisfrio Sul ajuda a decifrar os mistrios dos rpteis voadores, animais que no deixaram descendentes
Tamara Menezes

 APETITE - O rptil voador brasileiro caava na superfcie e nas guas
 
Depois de 110 milhes de anos soterrado sob camadas de rocha calcria, um fssil de rptil voador foi resgatado das profundezas na Chapada do Araripe, no Cear, e ficou esquecido nas prateleiras do depsito do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, por cinco anos. Desde 2005, foi analisado em etapas, j que no havia recursos para dar continuidade ao trabalho. Na semana passada, entretanto, o gigante veio a pblico: o paleontlogo Alex Kellner, principal especialista em pterossauros do mundo, revelou o Tropeognathus Mesembrinus. Por conta de suas medidas, recebeu da equipe de dez pesquisadores que o analisou o codinome de gigante. De uma ponta a outra das asas, tinha 8,2 metros. Pesava cerca de 70 quilos.  o maior animal da espcie no Hemisfrio Sul e terceiro do mundo.
 
So os primeiros animais que aprenderam a voar. So raros. No Brasil, esto os indivduos mais bem conservados, diz Kellner. Como esses animais no deram origem a nenhuma espcie atual, so pouco conhecidos. O fssil achado no Cear viveu em Gondwana  continente composto por frica e Amrica antes de se separarem, no perodo Cretceo. Os pesquisadores acharam ainda fragmentos de duas outras ossadas do bicho no Araripe.
 
Descendentes do mesmo antepassado dos dinossauros, os pterossauros sumiram da Terra 65 milhes de anos atrs. Sabe-se que voavam, em geral planando, e  provvel que pescassem. Viveram principalmente em reas costeiras. Eram mais abundantes que as aves e dominavam os cus, mas deixaram poucas pistas sobre sua extino. Tassa Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal do Esprito Santo, explica que o Araripe tinha a maior concentrao de pterossauros gigantescos do mundo. O Nordeste do Brasil era um celeiro de rpteis alados gigantes, conclui Kellner.

